Congresso realizado na semana passada discute os limites da TV digital
Faltam quase três meses para a TV digital estrear no Brasil. Vários pontos já foram definidos, como sistema de transmissão, detalhes técnicos, etc.
Mas em um assunto ainda não se chegou a um consenso: você, usuário, poderá gravar os programas que chegarão em alta definição na sua televisão da mesma forma que faz hoje com o que vem pela velha tecnologia analógica?
Esse foi um dos temas mais discutidos no Congresso de Tecnologia e Televisão, realizado na semana passada em São Paulo pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET). O evento reuniu membros do Fórum Brasileiro de TV Digital, grupo que discute as normas da TV digital e que que reúne emissoras, governo, fabricantes de eletrônicos e universidades.
Em três dias, a divergência de opiniões entre o grupo foi a tônica. Emissoras defendiam um controle rígido quanto ao que se pode gravar. Acadêmicos reclamavam o “direito constitucional” do usuário. E a indústria de eletrônicos já preconizava que, dificilmente, será possível ter uma cópia pessoal em alta definição da novela. Mas, até agora, nada está decidido.
“Falta esforço público para debater a questão”, diz o professor da USP Marcelo Zuffo. “Temos que evitar o problema da pirataria, de um programa ir parar em camelôs ou na web. Deveriam ser criadas regras. E isso não iria contra o direito constitucional que o usuário sempre teve de gravar um programa.”
Com a TV digital, será possível receber imagens em alta definição, com muito mais detalhamento do que hoje. E, com um gravador digital de alta definição – que pode ser tanto os concorrentes Blue-Ray e HD-DVD como os que gravam as imagens em disco rígido – será possível gravar filmes, shows e programas com qualidade muito superior ao dos DVDs atuais.
E as emissoras temem que, com isso, se instale a pirataria. No evento, elas defenderam regras que permitam, por exemplo, gravar apenas uma vez o conteúdo. Se quiser copiar para outro DVD, isso é barrado automaticamente.
Há tecnologia para isso. Chama-se Gerenciamento de Direitos Digitais (DRM, na sigla em inglês). É usada no comércio de músicas e filmes na web e em países que aderiram à TV digital.
No evento, o diretor da Rede Record, José Marcelo Amaral, anunciou que as emissoras encaminharão ao governo um pedido para que se estabeleça a proteção de cópias.
De acordo com o engenheiro da Rede Globo Paulo Henrique Castro, isso “não irá atrapalhar o usuário”. “Gasta-se milhões em um conteúdo. Defendemos que o usuário possa gravar uma vez só em DVD. Sem isso, não conseguiremos os direitos para transmitir conteúdos ‘premium’, como grandes filmes.”
Mas para o pesquisador da Genius/Gradiente Aguinaldo Silva, pelo medo da pirataria, há risco de não se poder gravar em alta definição. “As emissoras não querem risco. O que deve acontecer é o usuário poder gravar só em baixa definição. Mas, como o sinal é digital, a qualidade é melhor que em um DVD.”
Para dar um fim às especulações, o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse que o próprio presidente Lula deverá tomar a decisão. “Está claro que será permitido fazer uma cópia dos programas em alta definição – o que estamos definindo é se será possível fazer isso repetidas vezes, pois pensamos que os produtores têm o direito de ter suas obras preservadas.”
Fonte: Estadao.com.br
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