Busca do tempo perdido
Um dos grandes desafios na implantação da TV digital no País é como contribuir para um salto nos TIC (a indústria de telecomunicações). Expositor do workshop do Projeto Brasil sobre convergência digital, o Secretário de Política de Informática do MCT (Ministério de Ciências e Tecnologia), Augusto César Gadelha, vê a necessidade da indústria ser reanimada.
Na negociação com japoneses, para a implantação de uma fábrica de semi-condutores no Brasil, diz ele, o acordo pegou não a falta de recursos humanos em quantidade e qualidade suficientes para justificar todo o investimento da Toshiba.
No setor de telecomunicações, o Brasil perdeu uma imensa oportunidade quando a privatização do setor não veio acompanhada de medidas visando estimular os produtos nacionais – alguns muito bem sucedidos, como as Centrais Trópico de Telecomunicações.
A idéia inicial era preservar espaço para a tecnologia brasileira, inclusive investindo pesadamente no Centro de Pesquisas da Telebrás. Com a morte de Sérgio Motta esse modelo não foi implementado. As empresas de telefonia acabaram recorrendo maciçamente à importação de tecnologia.
“Na privatização faltou uma política industrial, de P&D e de formação de RH para sustentar a indústria nacional ou para atrair a produção no País com valor tecnológico agregado pelas empresas transnacionais”, explicou Gadelha. Não existia a visão de uma competição e nível global, que foi o que acabou determinando o sucesso de outros países na área.
Por exemplo, em comunicação ótica o Brasil era um dos três países mais adiantados. Mas não se tinha idéia de se transformar Brasil na principal indústria mundial de comunicação ótica. A preocupação era apenas em fazer o suficiente para atender o mercado nacional.
Na China, a partir de projeto com três professores universitários, montou-se uma estratégia do governo para transformá-la em maior empresa de telecomunicações do mundo. Em mundo globalizado, diz Gadelha, não se pode ser segundo ou terceiro, mas buscar sempre ser o melhor.
Difícil tarefaDá para ser player nessa área? Dá, a partir da abertura de um novo cenário, com a chamada convergência digital, especialmente em três áreas: desenvolvimento de software, semicondutores e tecnologia de rede. Para recuperar o terreno perdido, há a necessidade de um plano de desenvolvimento tecnológico, com a escolha de nichos adequados e forte investimento em recursos humanos.
Não será tarefa fácil. Falta uma empresa campeã para puxar o cordão, como a Petrobrás e Embraer em suas respectivas áreas. Há a necessidades de altos investimentos, com riscos financeiros e tecnológicos - por exemplo, um investimento em uma área ser atropelado por numa nova tecnologia. Esse esforço exigirá a universalização da banda larga, o estímulo ao uso da comunicação digital, para inserção na nova sociedade da informação; o estímulo ao desenvolvimento de novas aplicações e plataformas. E o fortalecimento de empresas nacionais, para terem autonomia tecnológica e competitividade.
Déficit errado
O Ministério da Previdência Social voltou a divulgar de forma incorreta seu deficit. Mesmo assim, foi de R$ 3,212 bilhões em julho, queda de 10,3% sobre o mesmo mês do ano passado. As despesas totais foram de R$ 14,4 bi contra receitas de R$ 11,2 bi. A razão da diminuição do déficit foi o aumento da atividade econômica.
Banda larga x TV 1
Com a convergência digital, tanto a banda larga quanto o cabo serão tecnologias concorrentes. A banda larga começou em 2001 e já ultrapassou a TV por assinatura em densidade por domicílio. Anualmente estão sendo instaladas 1 milhão de novas linhas de banda larga. É a esperança da telefonia fixa, que cada vez fatura menos.
Banda larga x TV 2
Nos últimos anos, o custo da banda larga caiu 18% no mercado; o de TV por assinatura tem aumentado 8% ao ano. Exatos 1.953 municípios brasileiros têm banda larga; só 179 são atendidos por TV por assinatura. O setor de telefonia investiu R$ 140 bi nos últimos anos, mas não pode transmitir imagens.
Crise global
Terça-feira as bolsas norte-americanas voltaram a cair. Essa volatilidade se explica pela incapacidade do mercado de levantar os prejuízos gerais com a crise o mercado internacional. No primeiro instante, caem os primeiros edifícios. Com o tempo, se percebem outros com a estrutura abalada.
Fonte: Colunas
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