De nome difícil, mas princípio simples, o Power Line Communication (PLC) usa a rede elétrica para a transmissão de dados e voz. Os primeiros testes da tecnologia foram feitos na Inglaterra, na segunda metade dos anos 90. Atualmente, cresce aos poucos no Brasil, porém ainda sem utilizar todo o seu potencial: 96% das residências brasileiras têm energia elétrica, mas o PLC ainda é usado praticamente apenas em programas piloto.
O sinal de PLC é transmitido sobre os fios de cobre (ou alumínio) das redes de distribuição de baixa e média tensão e pode chegar a todos os cômodos de uma casa. Com ele, cada tomada se torna um ponto de acesso à internet, sem precisar de conversores ou instalações especiais, apenas de um decofificador, semelhante aos modens usados nas conexões em banda larga wireless ou através de linha telefônica e TV a cabo, que separa a corrente elétrica dos sinais de voz, dados e Internet.
Empresas de energia brasileira já colocam projetos em andamento. A Eletronorte, que “irriga” com cabos de energia elétrica toda a região Norte, é parceira do governo do Pará para a utilização de sua rede para transmissão de sinal de internet no estado.A Cemig, de Minas Gerais,realizou,em 2002, piloto de PLC pelo período de um ano em dois bairros de Belo Horizonte.
A Copel, do Paraná, em 2001 já havia realizado programa piloto em 50 domicílios, com equipamentos doados por uma fabricante alemã. No mês passado, lançou um novo piloto, ampliado, que durante um ano pretende levar internet por fios de luz a 300 domicílios, a fim de fazer novas avaliações. Outras companhias elétricas também já se interessam por PLC.
“Atualmente, 96% das residências têm energia elétrica, e somente cerca de 65% são servidas por serviços de telecomunicações.Portanto,o acesso à utilização de PLC pode representar, para algumas comunidades,a única forma de receber sinais de telecomunicações”,avalia Dymitr Wajsman,um dos diretores da Associação de Empresas Proprietárias de Infra-Estrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel).
A Aptel participou de um dos primeiros projetos de PLC do Brasil, realizado na cidade maranhense de Barreirinhas, em 2003. A diferença deste projeto, batizado de Ilha Digital, para os pilotos das companhias elétricas foi que ele abarcou a cidade inteira. A iniciativa teve início, meio e fim.Porém, foi relançada em 2007,agora já com o nome de Vilas Digitais e tendo à frente o Ministério das Comunicações.
O sinal de dados chega via satélite,por intermédio do programa Gesac,e é distribuído por PLC para 150 pontos,incluindo escolas,centros de saúde, centros administrativos, pequenas empresas e residências. Também integram o projeto a Eletrobrás,Eletronorte,Cemar,a Prefeitura de Barreirinhas e a própria Aptel.
Prós e contras
Algumas vantagens são óbvias na utilização de PLC. Sempre há tomadas em qualquer das áreas de casas e edifícios,enquanto nem todo cômodo tem um telefone.A capilaridade da rede elétrica é grande:como já dito,ela chega praticamente à totalidade dos domicílios brasileiros, enquanto nem todas as cidades têm serviços de telefonia fixa.Dessa forma,o sinal por rede elétrica, se passar a ser usado,já nasceria universalizado.
Outra vantagem é a facilidade de implementação.Não é necessária nenhuma instalação elétrica nova,e a rede não soma nenhum custo à conta de energia. Já se prevê que, com o PLC, o usuário poderá ligar ou desligar fogões,TVs, iluminação,ar-condicionado e outros eletrodomésticos via Internet,já que será utilizada a mesma rede.
Por suas características, a tecnologia surge como uma alternativa forte. Porém, sua velocidade de banda e suscetibilidade a interferências ainda não a tornaram a solução ideal. Normalmente, a banda de internet não passa dos 4,5 Mbps dentro de uma mesma área (ou seja, o trecho “iluminado” por um mesmo transformador).
Apesar de novos equipamentos e sistemas lógicos estarem sendo testados, prometendo velocidades de até 200 Mbps,a realidade é que,no Brasil,a rede elétrica é antiga,e a disposição de transformadores e equipamentos teria que ser melhorada para poder oferecer velocidades confortáveis para cidades inteiras.
Outra desvantagem vem do fato de o PLC ser uma mídia compartilhada: todas as casas conectadas numa mesma subestação estarão usando a mesma largura de banda. Isto significa que o desempenho da conexão pode variar de acordo com o número de pessoas que estiverem navegando ou baixando arquivos simultaneamente.Ainda,o sinal de internet pode sofrer oscilações pelos variados usos dados à rede elétrica,que puxem mais ou menos energia,ou variar acentuadamente à medida que se ligam ou desligam luzes ou aparelhos conectados a ela.
Além disso,outra característica das redes de energia elétrica no Brasil é o fato de estarem ao ar livre,o que as torna suscetíveis a fatores climáticos, vandalismos e demais possibilidades de interrupções. Países da Europa que já utilizam PLC de forma mais difundida,como a Alemanha,têm suas redes elétricas embaixo da terra.
Tanto essas vantagens e desvantagens, quanto novidades na área estarão em discussão no IX Seminário de Tecnologia PLC,marcado para 11,12 e 13 de junho de 2008, em Belo Horizonte. Promovido anualmente pela Aptel,o evento é considerado o principal fórum de divulgação da tecnologia PLC no País,e é uma oportunidade para quem deseja conhecer mais sobre o assunto.Aspectos regulatórios, possibilidades de uso interno nas empresas e utilização de PLC para fins de inclusão social estarão na pauta.
Fonte: guiadascidadesdigitais