Published July 11th, 2008
Canais brasileiros da Microsoft ajustam estratégia para lucrar com oferta de serviço
Parceiros da fabricante no mercado nacional estruturam soluções para aproveitar estratégia da companhia
Quando Steve Ballmer iniciou sua apresentação na conferência global de canais da Microsoft nessa quarta-feira (9), já era possível prever sua mensagem. O conceito de software mais serviço toma conta do discurso da fabricante que, de uma vez por todas, se posiciona em direção à “nuvem” de aplicações suportadas via web. “A internet dará a escala necessária para otimizarmos a construção de tecnologias de sucesso”, garantiu o CEO da fabricante, apontando que o conceito servirá de guarda-chuva para toda a estratégia da Microsoft daqui para frente.
Mesmo que o modelo ainda leve cerca de dois anos para chegar ao mercado brasileiro, os canais da companhia no País já preparam suas estratégias e identificam oportunidades onde podem incrementar suas receitas.
Mirando nas possibilidades, Leandro Lopes, diretor da integradora L3, fechou uma parceria partner-to-partner (P2P) com a Webcenter, que irá fazer o hosting de sua solução de CRM. Comercializada em modelos tradicionais (venda de caixa), aluguel de licença ou oferta via internet, a solução desenvolvida dentro do conceito de software mais serviço já tem quatro clientes de médio porte e outros dez negócios que podem ser fechados em breve.
No começo do projeto, o executivo calculava que 20% da receita de R$ 3 milhões previstas para 2008, viessem do modelo, mas esses números serão revistos. “Com a demanda, esperamos dobrar nossas expectativas”, comemora Lopes, que prevê parcerias com outros canais para ampliar a abrangência de sua oferta ao mercado.
Antenada em futuras possibilidades, a desenvolvedora Programmer´s também ajusta o foco para não perder o bonde das oportunidades. A empresa trabalha sobre a plataforma Windows Live para ajustar o processo e estar preparada para quando o modelo, definitivamente, chegar ao mercado brasileiro.
“Temos mais de 10 universidades como clientes em projeto-piloto”, revela Luis Mario Fernandes, CEO da companhia. A empresa trabalha, ainda, em um projeto de nota fiscal eletrônica (NF-e) direcionado a pequenas empresas que tem como essência o conceito de software mais serviço. “Desenvolvemos um produto com base na plataforma Office que pode ser baixado gratuitamente”, revela o diretor, dizendo que a parte do “serviço” entra a partir do momento que o canal oferecer consultoria fiscal, adicionando valor à validação do produto junto ao cliente.
Quem também planeja vôos mais altos a partir da definição da estratégia da Microsoft é a AeC. Distribuidora de licenças e desenvolvedora na plataforma da fabricante, a área de softwares e serviços da empresa responde por 35% do faturamento projetado em R$ 200 milhões, este ano. Desse total, 40% das receitas estão atrelados a produtos da fabricante.
Como parte da estratégia, a AeC pretende formar uma rede de canais para ampliar sua capilaridade. “A idéia é estabelecer alianças com empresas que complementem nosso modelo de negócio para ofertar software mais serviço”, comenta Cláudio Brito Xavier, superintendente de operações e controle da companhia.
Visão ampla
“O software mais serviço é uma grande oportunidade para o canal”, projeta Mauricio Cacique Andrade, vice-presidente global da associação de parceiros certificados Microsoft (IAMCP). O executivo destaca, dentre os benefícios do modelo, a redução do ciclo de venda da tecnologia, a diminuição do custo das licenças, a formatação de uma oferta mais rápida ao mercado e a possibilidade de receitas recorrentes através da comercialização de licenças.
Cacique acredita que as médias empresas serão as primeiras a adotar o novo conceito. Ocupando também a posição de CEO da Flag IntelliWan, integradora parceira Microsoft, o executivo programa para setembro o lançamento de uma solução alinhada à plataforma de ERP comercializada dentro do modelo de software mais serviço.
Fonte: resellerweb
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