Estocolmo, 5 de Maio de 2008 - Roxtec, DubTools, Aktavara, MobileArts, Polystar, Birdstep: essas empresas suecas estão vindo ao Brasil. Atuam no mercado de telecomunicações fixas e celulares e enxergam o País como um campo importante para fincar raízes e vender seus produtos. Terão um primeiro contato dias 4, 5 e 6, no Rio e em São Paulo, guiadas pela Câmara Sueca de Comércio. A instituição promove um seminário nesses dias para dar a oportunidade aos empreendedores suecos de pequeno e médio portes a mostrar o que podem fazer às operadoras brasileiras, donas de um mercado de 125 milhões de clientes.
“Há diferenças de mercado que podem ser absorvidas com benefícios para os dois lados”, diz o cônsul sueco no Brasil, Barry Bysted. Segundo ele, as empresas suecas vão ajudar as teles a mesclar seus serviços de modo a atender a públicos tão distintos como o grande contingente de pré-pagos versus o segmento menos numeroso, mas que tem poder aquisitivo elevado, de donos de celulares pós-pagos.
Na Suécia o pré-pago não é relevante, a renda per capita é bem distribuída, o poder aquisitivo é elevado e as tarifas de telefonia estão incluídas entre as três mais baixas do mundo, acima somente das do Chipre e Holanda. A combinação dessas características é explosiva e o mercado de telefonia celular sueco, vigoroso. Apesar disso, há limites de crescimento diante da população - são apenas 9,2 milhões no país inteiro - e por isso as empresas suecas buscam crescer em outros continentes.
A Roxtec faz cabos que conectam redes. Tem crescido 30% ao ano, mas as ligações com estações radiobase crescem em dobro: 60%. Dentre as 12 subsidiárias espalhadas pelo mundo, a Roxtec pretende que a filial brasileira cresça 100% nos próximos três anos. A Roxtec já atua na Rússia e na Ásia, e também na América do Sul, inclusive com a indústria de óleo e petróleo. No Brasil mantém escritório de vendas com 10 empregados. Essa estrutura deve crescer agora. O segmento de telecomunicações tem representado 30% do negócio, a Marinha, outros 30%, petróleo e gasolina, 20% e aplicações industriais, 20%. A Roxtec planeja ter parceiros para se tornar mais abrangente fora de casa. E esse crescimento inclui também o México, Colômbia, Bolívia, Uruguai e Chile.
A DubTools desenvolve programas de música e de conteúdo no celular e tem planos de levar principalmente os primeiros aos clientes brasileiros. Trata-se de uma empresa nova, quase recém nascida. Surgiu no ano passado na Escandinávia e desenvolveu um programa especial para muçulmanos, contendo o Alcorão, com informações temáticas, como a mesquita mais próxima e cânticos.
A gerente Christina Henkel estará no seminário em São Paulo e Rio para mostrar esse serviço que servirá como modelo de serviços a serem desenvolvidos no futuro. A DubTools não planeja investimentos para o Brasil. Trabalhamos com receita compartilhada de seus produtos, diz a executiva. Na Suécia, as teles ficam com 50% e a fornecedora, os outros 50%.
A Aktavara tem 5 anos de existência fazendo software de arquitetura de rede. Seu produto vem sendo utilizado por dez clientes em 5 países diferentes. “Estamos presentes na O2, que é a operadora que mais cresce na Alemanha, na Alice, que é uma operadora de serviços de internet, Bredbands e HaseNet, entre outras”, diz o diretor Andrew Ruckemann.
A empresa atua em ambiente IP. Por isso, conta Ruckemann, tem a Banverket Networks como uma cliente importante. A empresa é a maior operadora de fibra da Escandinávia, com rede ao longo das ferrovias suecas. Eles vendem capacidade às operadoras como Tele, Telenor, e operadoras de TV a cabo.
A Bredbands Bolaged, que é uma operadora “triple play”, também se serve do software da Aktavara. Com a chegada da 3G ao Brasil, o executivo enxerga um potencial muito grande para sua empresa entre as teles brasileiras. “Vamos duplicar as vendas este ano, auxiliados pela internacionalização”, diz Ruckemann. O faturamento no ano passado foi de U$ 2 milhões.
A Polystar também atua na área de software, desenvolvendo planilhas a partir de informações da própria rede, ou seja, ao examinar estatísticas de ligações efetuadas, a Polystar fornece à operadora a chance de formatar serviços de interesse daquele grupo específico. Também funciona para evitar erros recorrentes.A Polystar não quer estar somente no Brasil, visa também a América Latina, mas acredita que somente com presença local conseguira uma boa penetração. Com 3 escritórios nos Estados Unidos, a empresa conta com tradição de 25 anos, mas sabe que precisa ter flexibilidade também para entender mercados novos e emergentes. Opera em 8 países e tem 130 empregados. Nos últimos dois anos, num salto de internacionalização, duplicou o número de pessoas. O desenvolvimento tem ocorrido na Suécia e na China, mas não há restrições para que isso também possa ocorrer no Brasil.
Serviços de mobilidade
Já a MobileArts, que faturou € 1,8 milhão em 2007, provê infra-estrutura para operadoras móveis, com soluções padronizadas, diz o principal executivo, Peter Sjogren, referindo-se a serviços de caixa postal, de localização e de formas de mensagens curtas de texto (SMS), inclusive a possibilidade de direcioná-las à internet. Fornece para operadoras na Noruega, Estônia, Rússia, Ucrânia e Paquistão. Não atua ainda na América Latina mas reconhece que o mercado é interessante e merece ser explorado. “Há muita gente jovem e cresce muito. Enquanto aqui é muito estável (a Suécia)”, comenta.
O seminário de empresas suecas ainda vai trazer a BirdStep, que desenvolve software de conexão de modem a computadores móveis e desktops. Atua em 35 operadoras celulares, entre as quais a TIM, que também está no Brasil, a TMN, controlada pela Portugal Telecom, dona de parte da Vivo, Telia, TurkCell, e outras. O software permite que os usuários usem hotspots.
Por fim, a Câmara Sueca de Comercio vai trazer ao encontro com os brasileiros a IS Tool, que faz sistemas de informação, sem a necessidade de programadores. Segundo o vice-presidente de vendas e negócios, Magnus Hakansson, a Ericsson usa esse sistema no mundo inteiro. Sem ser originalmente voltada a telecomunicações, a IS Tool enxerga no setor uma porta de oportunidade a partir da transformação das operadoras em prestadoras de serviços customizados. “Temos bom produto que se adapta a onde há crescimento. A América do Sul tem um mercado em expansão e as teles precisam gerir muito bem os recursos que entram e os que saem, em busca de ampliar os ganhos”, comenta o executivo.
Fonte: gazetamercantil
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