Parceiros da fabricante no mercado nacional estruturam soluções para aproveitar estratégia da companhia
Quando Steve Ballmer iniciou sua apresentação na conferência global de canais da Microsoft nessa quarta-feira (9), já era possível prever sua mensagem. O conceito de software mais serviço toma conta do discurso da fabricante que, de uma vez por todas, se posiciona em direção à “nuvem” de aplicações suportadas via web. “A internet dará a escala necessária para otimizarmos a construção de tecnologias de sucesso”, garantiu o CEO da fabricante, apontando que o conceito servirá de guarda-chuva para toda a estratégia da Microsoft daqui para frente.
Mesmo que o modelo ainda leve cerca de dois anos para chegar ao mercado brasileiro, os canais da companhia no País já preparam suas estratégias e identificam oportunidades onde podem incrementar suas receitas.
Mirando nas possibilidades, Leandro Lopes, diretor da integradora L3, fechou uma parceria partner-to-partner (P2P) com a Webcenter, que irá fazer o hosting de sua solução de CRM. Comercializada em modelos tradicionais (venda de caixa), aluguel de licença ou oferta via internet, a solução desenvolvida dentro do conceito de software mais serviço já tem quatro clientes de médio porte e outros dez negócios que podem ser fechados em breve.
No começo do projeto, o executivo calculava que 20% da receita de R$ 3 milhões previstas para 2008, viessem do modelo, mas esses números serão revistos. “Com a demanda, esperamos dobrar nossas expectativas”, comemora Lopes, que prevê parcerias com outros canais para ampliar a abrangência de sua oferta ao mercado.
Antenada em futuras possibilidades, a desenvolvedora Programmer´s também ajusta o foco para não perder o bonde das oportunidades. A empresa trabalha sobre a plataforma Windows Live para ajustar o processo e estar preparada para quando o modelo, definitivamente, chegar ao mercado brasileiro.
“Temos mais de 10 universidades como clientes em projeto-piloto”, revela Luis Mario Fernandes, CEO da companhia. A empresa trabalha, ainda, em um projeto de nota fiscal eletrônica (NF-e) direcionado a pequenas empresas que tem como essência o conceito de software mais serviço. “Desenvolvemos um produto com base na plataforma Office que pode ser baixado gratuitamente”, revela o diretor, dizendo que a parte do “serviço” entra a partir do momento que o canal oferecer consultoria fiscal, adicionando valor à validação do produto junto ao cliente.
Quem também planeja vôos mais altos a partir da definição da estratégia da Microsoft é a AeC. Distribuidora de licenças e desenvolvedora na plataforma da fabricante, a área de softwares e serviços da empresa responde por 35% do faturamento projetado em R$ 200 milhões, este ano. Desse total, 40% das receitas estão atrelados a produtos da fabricante.
Como parte da estratégia, a AeC pretende formar uma rede de canais para ampliar sua capilaridade. “A idéia é estabelecer alianças com empresas que complementem nosso modelo de negócio para ofertar software mais serviço”, comenta Cláudio Brito Xavier, superintendente de operações e controle da companhia.
Visão ampla
“O software mais serviço é uma grande oportunidade para o canal”, projeta Mauricio Cacique Andrade, vice-presidente global da associação de parceiros certificados Microsoft (IAMCP). O executivo destaca, dentre os benefícios do modelo, a redução do ciclo de venda da tecnologia, a diminuição do custo das licenças, a formatação de uma oferta mais rápida ao mercado e a possibilidade de receitas recorrentes através da comercialização de licenças.
Cacique acredita que as médias empresas serão as primeiras a adotar o novo conceito. Ocupando também a posição de CEO da Flag IntelliWan, integradora parceira Microsoft, o executivo programa para setembro o lançamento de uma solução alinhada à plataforma de ERP comercializada dentro do modelo de software mais serviço.
Fonte: resellerweb