Published October 8th, 2007
MAI estuda alargamento da polícia do futuro
As imagens recolhidas pelo sistema de videovigilância instalado nos calabouços da esquadra da PSP do Estoril já serviram para fazer prova em Tribunal. Um detido infligiu agressões a si próprio e atribuiu a culpa a um agente. As imagens mostraram que estava a mentir. Esta é uma das vantagens da Esquadra do Século XXI e uma mais- -valia que a subcomissária Vanessa Reis gostava de ver implementada noutras esquadras.
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Os custos são elevados, embora a comandante não saiba precisar valores, e é preciso ponderar as necessidades de cada esquadra. “Somos privilegiados. Temos sete computadores topo de gama e um portátil, viaturas equipadas, e cada agente tem os seus próprios equipamentos”, diz a subcomissária, acrescentando que o projecto já singrou nem que seja pelo facto de ter conseguido que os mais velhos da casa aprendessem a utilizar as novas tecnologias. “Há um ano e meio os elementos das notificações usavam máquinas de escrever. Houve resistentes à adaptação, mas agora os inquéritos de satisfação mostram que 78% dos agentes muito satisfeitos e os restantes satisfeitos”, revela Vanessa Reis.
Não foi tarefa fácil pôr o projecto a funcionar. A missão coube, principalmente, à subcomissária e às agentes Ana Peralta e Alexandra Campino que conseguiram que a esquadra estivesse operacional a 9 de Janeiro de 2006. “Foram muitos dias de 24 horas de trabalho seguido, mas conseguimos que funcionasse”, elogia.
A nível interno o sistema de videovigilância é fundamental quer para os calabouços, quer para os parques de viaturas. Poupa meios humanos e impede que os reclusos se autoinflijam. A videoconferência é outra mais-valia. Permite que o comandante de esquadra, o da divisão e do metropolitano se reunam sem haver um desgaste das viaturas e partilhem ficheiros confidenciais através do sistema informático interno. “Os ficheiros confidenciais só são partilhados pelas pessoas que estão dentro do processo e isso evita fugas de informação”, afirma Vanessa Reis.
A gestão de correspondência permite digitalizar ofícios dos tribunais, cartas dos cidadãos e, entre outros, processos disciplinares. Diminuem-se os gastos.
Quando os agentes estão no terreno, a subcomissária sabe onde estão através da georeferência. “Ao início pensavam que os queria controlar mas depois perceberam que lhes pode ser útil se estiverem numa situação de perigo e que não consigam pedir ajuda, por exemplo, via rádio”, prossegue.
Apesar de ter muitas vantagens, frisa a subcomissária, “ter uma esquadra do século XXI não é um mar de rosas… há muitos problemas técnicos para resolver”.
É COMO TER A ESQUADRA NO BOLSO
São 40 os agentes, homens e mulheres, que têm à sua responsabilidade um PDA e um aparelho GPS dotado com um mapa pormenorizado onde se podem consultar os circuitos pedonais do Estoril. Além de facilitar a vida aos agentes também ajuda o cidadão. Quem é que não aproveita a presença de um elemento policial para perguntar onde é a rua X ou Y? “Assim podem melhor servir o cidadão. Consultam o PDA e o GPS e informam a pessoa por onde deve ir para chegar a determinada rua”, explica a subcomissária Vanessa Reis.
Através destes equipamentos electrónicos, ligados ao sistema informático interno da PSP e dotados de internet, um agente pode de imediato e a qualquer hora pesquisar matrículas, pessoas e saber, por exemplo, se um qualquer segurança privado está certificado pelo Ministério da Administração Interna. Na rua têm acesso a todo o tipo de informação, sem precisar de ir à esquadra porque os aparelhos andam sempre no bolso.
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA LIDERA E-MAILS
No início da semana passada a subcomissária Vanessa Reis tinha 100 e-mails na caixa de correio electrónico da PSP para responder. Chegam 15 mensagens por dia, dos Açores à Austrália, e o seu conteúdo é variável. Desde queixas de agressões, quezílias entre vizinhos, pedidos de informação, reclamações a queixas sobre o comportamento de agentes da autoridade. Mas os mais frequentes são os e-mails de vítimas de violência doméstica. Segundo Vanessa Reis, a maior parte das vezes, as vítimas só querem saber como agir porque, por pena ou medo, não querem fazer queixa dos companheiros. “Querem saber como se podem proteger, mas raramente formalizam as queixas”, diz ao CM. Não é por acaso que a página dedicada a este tema é uma das mais procuradas: 752 visitas em pouco mais de um ano. A comandante responde a quase todos os pedidos. “Só não têm resposta os que mandam mensagens descabidas”.
PORMENORES
EXCENTRICIDADE
A ‘Onda Musical’ é um sistema sonoro que dá música à sala de espera. Apesar de, como considera a subcomissária Vanessa Reis, “ser uma excentricidade”, o apetrecho é bastante útil. “Quem espera para ser atendido é, regra geral, vítima de uma qualquer situação. A música vai ajudar a relaxar”.
FORMULÁRIOS ON-LINE
Para pedir uma licença ou autorização de uso e porte de arma, ou para relatar desaparecimentos, o cidadão pode fazê–lo através do site da PSP do Estoril (http://esquadrasecxxi.psp.pt). Os formulários têm depois de ser autenticados.
ESCOLA SEGURA NA NET
São 26 as escolas que aderiram à Escola Segura On-line. Através da internet os responsáveis podem, por exemplo, requisitar visitas de estudo à esquadra ou relatar factos.
COMPUTADORES
Todas as viaturas da PSP do Estoril têm uma impressora e um computador portáteis. Os agentes podem registar as ocorrências na hora e podem passar mais tempo na rua a fazer serviço de patrulha.
Fonte: Correio da manhã
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