Published October 5th, 2007
Past and Future
O Past And Future, podcast da grade do DNB Online, que vai ao ar todo sábado das 15 às 17h é fruto de Victor Paiva, DJ que começou a tocar aos 13 anos, em 1992. “Não tinha como comprar meu par de toca-discos, sempre quebrei os toca-discos da minha mãe, porque tinha que aumentar ou diminuir a velocidade da música com o dedo”, conta. A curiosidade, típica desta idade, nasceu em 1988 ao ouvir sets de DJs em rádios como Band e Nova FM, numa época onde o som que embalava os ouvintes era o house. “Quis tentar colocar duas músicas em uma, já que tinha alguns discos como Contramão, Yasy, Toco, Bomb The Bass. Então ligava dois aparelhos de som e tentava fazer o que ouvia na rádio”, relembra.
Hoje o estilo predominante nos sets de Victor é o drum’n bass. O interesse pelo gênero surgiu ao longo do tempo, após experimentações. “Em meados de 1993 o cenário da dance music no Brasil mudou muito e com isso nasceu a extinta Sound Factory, que trouxe vários ritmos. Um deles era o hardcore. Ficava louco quando ouvia o programa da Sound na Metro FM e o DJ Marky tocava os hardcores com o pitch lá embaixo, a batida bem quebrada e acelerada. Aí quando veio o jungle, para mim foi perfeito. Daí em diante comecei a tocar e ter preferência pelo drum’n bass”, explica.
“Quero mostrar que o gênero tem muita lenha para queimar, mostrar novas tendências e tentar abrir a mente do pessoal com a música, sempre buscando um programa em um formato alegre para quem ouve”, promete Victor.
Segue a entrevista
Fale sobre seus projetos atuais. Quando e como surgiu o Past And Future?
Meu projeto é só o programa que amo fazer e tenho pelo DNB Online, um site que acredito e respeito muito desde que o conheci em 2002. Infelizmente, não tenho tempo para me dedicar, mas tento passar um pouco do que gosto e acredito na música. O nome Past And Future nasceu de uma forma simples: antes tinha um programa na webradio chamado Drop The Bass, mas não tinha muito a minha cara e nem muito com o programa em si. Daí deixei a rádio por um tempo e quando voltei escolhi Past And Future, porque queria tocar todas as variações do drum’n bass, do passado ao futuro. E, assim, vou tentando fazer. Toco música de produtores desconhecidos e músicas que marcaram épocas.
Qual a importância de conhecer o passado e prever o futuro?
Boa pergunta. Conhecer o passado é importante, pois você já sabe o que dá certo e o que não dá certo na música. Prever o futuro é querer acreditar que o diferente de hoje pode ser o hit de amanhã. Um exemplo: no programa que fazia há alguns anos atrás tocava música do Breakage, do Break e hoje ambos são conhecidos. No Past And Future toco músicas do Lynx e Survival há algum tempo e agora eles estão estourando.
Para você, como anda o drum’n bass no Brasil hoje? Quais são os pontos positivos?
O ponto positivo é que apesar da cena não ser mais a mesma que de anos atrás, tem pessoas que acreditam nela e estão tentando fazer algo por ela e pela música, que para mim é um dos maiores ritmos inventado até hoje.
Quais nomes nacionais você destacaria? Alguma aposta em especial?
Para mim, DJ Marky, DJ Andy, DJ Patife e Koloral – que foi um dos primeiros DJs a acreditar no drum’n bass numa época onde havia mais preconceito com a música do que hoje em dia. Acredito que o Cybass vai dar o que falar, o Cable tem lançado por selos importantes e o Bungle, que ganhou mais destaque depois que fez a união com o Marky.
Como anda a cena na sua região? Quem está agitando as coisas por aí?
Pelo que vejo de longe a cena já foi muito melhor como é hoje em dia. Antes ouvia pessoas cantando “Original Nuttah” do Shy FX dentro do ônibus indo para festa. A pista lotada, dançando tudo o que o DJ tocava. Já vi muitos tocarem “Music” do LTJ Bukem, “Solar System” do Q-Project e a pista pirando com a música. Acho que hoje em dia não tem mais isso, mas vejo DJs como o Andy, o Koloral e o pessoal da Greve, Maloca Dub, tentando fazer suas festas e trazendo um pouco de alegria para o pessoal que gosta. Sem esquecer o Pedro que promove ótimas festas aqui em São Paulo e sempre traz um DJ de fora. O último que vi foi o Adam F. Respeito muito o trabalho desse cara, pois não é simples trazer DJs como ele ao Brasil.
Você escuta os outros programas do DNBCast? Gosta de algum em particular?
Tenho acompanhado mais o programa do DJ David WS, o Warning, e o Liquid Audio com o pessoal do Maloca Dub. Acho super importante e interessante o que o David está fazendo, tocar muita produção nacional. Pelo que ouço, o nível das produções está cada vez melhor. Foi uma boa sacada pois o David abre um espaço que outros DJs aqui no Brasil têm medo de fazer. O Liquid Audio é mais a minha cara, uma coisa mais leve, mais clean, adoro a seleção que o pessoal separa para gente ouvir. As músicas do Mjazzy estão ótimas. Não é à toa que os DJs Fabio e Flight já tocaram a música dele.
Fonte: DNB OnLine
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