Published February 1st, 2009
Operadoras devem ser criativas
Fernando Braga - Correio Braziliense
Um ano depois da tecnologia 3G dar os primeiros sinais (sem trocadilhos) de existência em terras tupiniquins, o brasileiro pode conferir de perto o que é ter acesso à banda larga móvel em qualquer lugar, sem complicações. No entanto, o celular — ferramenta mais adequada para receber a novidade — ainda está longe de ser o que mais tira proveito das redes de terceira geração das operadoras. De acordo com dados da Accenture, 90% dos acessos 3G no Brasil são feitos por modems e placas para computador. Segundo o diretor para América Latina e Caribe da 3G Américas, Erasmo Rojas, é preciso que as operadoras sejam mais criativas na oferta de conteúdo que realmente interessa ao usuário e menos gananciosas na cobrança de taxas de tráfego. “Uma parte importante da maneira de atrair os usuários para usar determinados serviços está no preço que se deverá pagar por ele”, opina. Mesmo assim, a consultoria prevê que a região deverá crescer neste ano. Somente no Brasil, a estimativa é que a tecnologia tenha 3 milhões de assinantes até o fim de 2009.
A tecnologia 3G acaba de completar dois anos na América Latina (e um no Brasil). Qual o balanço que o senhor faz da plataforma neste período?
No fim de 2006, foi lançada a primeira rede no Chile. Dois anos depois, já contamos com 41 redes comerciais de HSDPA em 20 países e fechamos 2008 com 3 milhões de inscrições de usuários na região. Isso é muito importante, pois significa que a maioria dos países já atua com redes 3G.
No Brasil, 90% dos acessos à internet 3G são feitos por modems e placas para computador. O que é necessário para o acesso à banda larga pelo celular se tornar massivo?
Isso é uma combinação de duas coisas: um portfólio atraente de celulares e tarifas mais acessíveis. Muitas pessoas que gostam de aplicações, como redes sociais e programas de mensagem instantânea, são jovens e ainda não têm muito dinheiro. Logo, as operadoras precisariam ser mais criativas para oferecer os serviços desejados por esse público, mas que eles não sejam caros para, assim, fidelizá-los a médio e longo prazo.
O 3G impulsiona as vendas de determinados produtos ou são os produtos, como o iPhone, que aceleram o crescimento das redes de terceira geração?
As vendas de aparelhos, como iPhone, da Apple, e o Bold, da Blackberry, podem acelerar a adoção da terceira geração. Todos (as operadoras) querem o iPhone para oferecer aos clientes e assim estimular o uso de suas redes 3G. As tecnologias sozinhas não estimulam os usuários sem que haja aceleradores — que são os celulares, as aplicações ou os conteúdos. Hoje, temos bons produtos que nos conectam com velocidades muito boas.
Alguns especialistas defendem que o celular foi feito para trafegar voz e não dados. O que o senhor acha disso?
O telefone celular sempre foi feito para voz, mas com o desenvolvimento dos aparelhos o que vemos agora é que os smartphones se tornaram verdadeiros computadores móveis e, como consequência, precisam de uma rede para usar essas e outras aplicações. As pessoas estão descobrindo novas maneiras de se comunicarem, que vão além da voz, e é preciso oferecer uma rede capaz de dar suporte para isso.
A crise econômica pode afetar os investimentos que as operadoras planejavam fazer em suas redes?
Não vejo dificuldades a curto prazo, já que os financiamentos que as operadoras precisavam para os investimentos nas redes já foram aprovados. Mas para 2010 será um pouco mais difícil, já que os bancos não vão emprestar dinheiro tão facilmente. Mas na América Latina a densidade telefônica é de 70%. Isso prova que os latinos acham que se comunicar é uma coisa importante no dia-a-dia. Achamos que, se os usuários tiverem que escolher o gasto que deve ser cortado do orçamento, eles vão olhar para aqueles que não são essenciais e estamos convencidos de que os gastos com comunicação da telefonia móvel têm uma prioridade alta. Inclusive, muitas pessoas já estão sacrificando os serviços fixos, no lugar dos móveis.
Qual o principal erro das operadoras na oferta de 3G?
Achamos que as operadoras têm que ser um pouco mais criativas para seduzir os clientes. Um exemplo: elas poderiam ter programas de fidelização para manter os bons usuários (de alto consumo), assim como fazem as linhas aéreas com os programas de milhas. Além de conquistar os usuários, atrairiam clientes dos concorrentes. As operadoras que começarem a ser diferentes na oferta de serviços terão vantagem.
O recurso de videochamada parece não ter decolado no Brasil e no resto do mundo. Você acha que as pessoas não querem se ver ao falar por celular?
Entre nós, latinos, mais do que ver, gostamos de falar. Mas este serviço pode ser interessante, sim, para quem quer mostrar um documento, um lugar, alguma coisa. Na época do lançamento do 3G não havia tantos modelos de celular capazes de realizar videochamadas. Isso pode ter sido uma outra causa.
O WiMax vai engolir o 3G?
Quando falamos de uma tecnologia que ainda será lançada é importante saber quais empresas estão por trás dela. Achamos que, no futuro, o WiMax será utilizado para aplicações de um nicho, mas, para quem quer alta mobilidade, acreditamos que a tecnologia não terá nem escala nem terminais para se sobrepor. Mais que competir, achamos que ela é uma plataforma que vai complementar a conexão móvel.
Qual a expectativa de crescimento do 3G para este ano?
Começamos 2008 com oito redes comerciais e 100 mil usuários e fechamos com 41 redes e 3 milhões de assinantes em 20 países. Se o cenário mundial não se alterar, a expectativa é que o Brasil feche 2009 com pelo menos 3 milhões de usuários 3G.
Fonte: Uai
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